sexta-feira, 6 de março de 2009

Dias Frios


Nicholas é proprietário de uma pequena edificação rural ao norte do Canadá e sai cedo de casa para seus afazeres rurais, retornando sempre ao final do dia. Usa a trilha por ele mesmo recém aberta por entre pinheiros e muita neve, ladeando o lago Mirrow. Carrega consigo as pesadas provisões do dia para sua esposa Anne e o filho Cash, de pouco mais de três anos.
Na casa rústica, de madeira local, abre a porta e vê Anne em suas tarefas diárias, próxima ao fogão lareira, visivelmente abalada. A casa se encontra desordenada, objetos fora do lugar, algumas coisas pelo chão. Nicholas interpreta os sinais.
Com a chegada do marido Anne põe-se aos prantos, descontrolada. Ela sente sua relação desgastada pela solidão, uma vez que o marido fica grande parte do dia ausente e, nesta época de rígido inverno, visitas de vizinhos e amigos são raras. Nicholas, precavido, vai primeiro ao quarto de Cash, que dorme um pesado sono. Uma conversa com a esposa era imprescindível e o momento favorável. Acalentá-la era mister. Ao tocá-la nos ombros, pelas costas, Anne se arrebenta em fúria, tresloucada.
- Nich, não suporto mais esta ausência.
- Amor, vamos pensar juntos em alguma coisa, já falamos sobre isto. Se a vida aqui não lhe agrada podemos nos mudar para Quebec.
- Sempre acontece isto!
- Isto o que, Anne?
- Sempre chega do trabalho dizendo que as coisas vão se resolver.
- Anne, entenda. Precisamos lutar contra o que a aflige, mas tenho me esforçado o quanto posso e você tem visto.
- Visto o quê? Você só sabe trabalhar, trabalhar e me deixa só.
- Não se lembra do seu aniversário do ano passado, quando convidei pessoalmente, porta a porta todos os nossos amigos para uma festa surpresa?
- E o que tem isto?
- Apareceu tanta gente!
- Sim, é verdade.
- Anne, em algumas semanas o degelo começa, poderemos sair, fazer compras, ir aos restaurantes, brincar com Cash no parque...
Nicholas ainda buscava apaziguar a esposa possessa e irracional, quando Anne atira o que tem às mãos ao alto e sai correndo pela porta segurando o vestido roto, sem os devidos agasalhos. Nicholas a segue, alcançando-a alguns metros após a cerca da propriedade. A neve caía e o frio era intenso. Ao interpelá-la Anne desabafa:
- Seu egoísmo, Nich, seu desprezo por mim, sua ausência, sua ausência, sua ausência...
Falava repetidamente, aos prantos, voz diminuta, mãos ao peito, joelhos na neve, abraçada por trás pelo marido atônito. Nicholas a ama e fala do amor para tentar movê-la:
- Lembre-se Anne, querida, o amor tudo suporta. Quantas vezes passamos por momentos difíceis e superamos porque o que nos une é mais forte. É o amor.
- Amor? Que amor, Nich? Isso é amor? Não há amor.
- Sim, Anne, nosso amor. O que aconteceu com ele?
- Morreu.
Nicholas, estupefato, julgava ser um acesso de ira passageiro e que, com alguns minutos Anne repensaria suas falas, como já fizera outras vezes. Deixou-a ali, esperando o momento de sua lucidez, quando retornará para casa.
Anne jamais voltou. Nicholas ainda questiona se o amor é mesmo tão poderoso quanto cria. Se não seria uma criação utópica de apreciadores de luas e estrelas. Se a vida não seria embasada, na realidade, na dureza do gelo e na frieza de um coração que só labuta. A vida deve ser uma eterna labuta, um dia de cada vez, com seus enigmas, mistérios, dores e a cama vazia à noite.
Cash cresce com um vazio na alma que não entende, mas sente o arpão diuturnamente, como uma presa em agonia que se renova a cada alvorecer. O pequeno garoto, de fronte sóbria demais para a idade, sente que há algo na vida além da trilha entre pinheiros e dias frios, mas este algo deve estar além das montanhas, do lado oposto ao lago Mirrow, cuja simples menção do nome lhe causa fobias agudas incompreensíveis à luz de seus tenros dias.




Marcelo Leite Batista

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O palco


A vida é um palco onde você nada mais é que o protagonista. Mas existe uma diferença básica entre o protagonista dos teatros, filmes, novelas e afins e você o protagonista da sua vida.

Os protagonistas dos palcos são apenas um protagonista, ele é a pessoa boazinha que sofre ou é o malvado, é isso ou é aquilo. Sempre o "ou". Nós protagonistas da vida real, somos todos eles... Podemos ser muitos protagonistas ao mesmo tempo... Podemos ser Julieta e também Catarina. Essa é a graça dos palcos da vida. Viver é encenar uma história real, com sentimentos reais, tragédias reais e felicidades reais.

Abra os braços e não se deixe ficar de coadjuvante na sua vida. Seja um PROTAGONISTA!


Para finalizar hoje não deixarei apenas uma frase musical e sim uma música inteira...


"Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor


Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir
O inferno, fora daqui


Venho para a festa, sei que muitos têm na testa
O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
Pedindo prá deixar, prá deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar
Lá, lá, iá
P.S.: Imagem - O Teatro Mágico
Julieta e Catarina - Personagens "Shakespearianos"
Música - Palco do Gilberto Gil
... Vai saber né, tem muita gente desinformada por aí ;D




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ela chega chegando...




Ela chego chegando? Acho que não. O que faz ela ter tal atitude? Talvez seja sua simpatia ou quem sabe será o seu jeito de dizer o que pensa. Talvez seja seu sorriso, quem sabe seu estilo... Difícil dizer.
Você acha que ela conquista corações? Ela discorda. Ou até brinque..."Tenho culpa de ser assim, encantadora?(risos)".
Ela é diferente e também tão igual. Ela vê pessoas, mas não como um espelho... o olhar dela foca o que nenhuma espelho pode refletir. Ela tem histórias. Ela é complicada. Ela é estranha e muitas vezes é excêntrica. Do mesmo jeito que a amam, a odeiam. Ela liga? Não... Não mesmo... Basta os que a amam.
Ela é tão "garoto" as vezes, mas sem nunca perde a garota que é. Ela é engraçada quando não quer. É distraída e desastrada.
Ela gosta de Rock e MPB. Gosta de ler e escrever.

Ela, ela , ela.

Talvez seja por isso que ela "chegue chegando". Porque ela é ela, sempre ela.


P.S.: Ela não é isso tudo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Suicídio


O que fazer quando a dor de viver chega nas raias do insurportável e congitamos o suicídio?

Esse foi o tema proposto pelo meu adorável fã, Math. Suicídio é um ato cometido por pessoas que geralmente possuem um grau elevado de sofrimento, depressão, algum transtorno psiquiátrico ou outro transtorno afetivo. Pode ou não estar acompanhado de uso de drogas e de bebibas. O suicida às vezes deixa alguma "nota de suicídio", alguma carta ou recado em algum lugar.

Ano passado lá em Serra Negra, uma menina pulou de um prédio, mas precisamente do 3º andar... Bateu direto com a cabeça no chão. Me pergunto o que faz uma menina linda e modelo, como ela, pular de um prédio. O que falaram foi que o namorado a tinha deixado. Penso que não importa o motivo, essa atitude é idiota. Mas, como provávelmente ou melhor com toda certeza pessoas que fazem esse tipo de atitude estão completamente sem noção das coisas e sentido, não vamos entrar por esse lado.

Vamos direto ao ponto do Math, existem pessoas que numa tristeza grande pensam nessa atitute como saida de problemas, sinceramente morrer não conserta nada, o único que sai perdendo nisso tudo é você que deixa de viver por outros, sendo que esses outros vão apenas se sentar no bar depois do seu velório e curti a vida. Eles não parar o mundo porque você se foi. A vida sempre continua...

Então, eu penso que o melhor mesmo é continuar vivendo e curti todos os momentos que eu puder. E mandar todo mundo se "fude"!


sábado, 24 de janeiro de 2009

Depois do fim.


Tudo tem um começo, um meio e um fim, às vezes não muito bem definidos e bastante confusos, mas qualquer coisa tem ou deveria ter essa sequência lógica. Como agir depois que acabou?

Bem, nada mais complicado do que o fim de um relacionamento, principalmente entre casais. É complicado porque mexe muito com os sentimentos, e nada mais trágico do que mexer indevidamente com os sentimentos dos outros.

Geralmente os relacionamentos terminam de formas nem um pouco amigaveis, então é mais prático, não é mais fácil é mais prático, porque cada um vai pra um lado e f* o(a) ex-companheiro(a), não é verdade? Mas quando termina um ainda gostando muito do outro? Termina "amigavelmente", mas a convivência é mais estranha e inconveniente do que o previsto, mas você nem a outra pessoa querem peder a amizade? Um traíndo o outro? Ou pior, quando um morre?

Não são situações nem um pouco fáceis de serem enfrentadas, muitas vezes dolorosas demais pra um combate de peito aberto. O mundo não pára pra nossas dores, ele corre indiferente a tudo, evoluíndo e sempre pra frente. Mas o que pode ser feito?

-> Explodir o planeta?

-> Falar com o Obama (yes, we can!)?

-> Ir na macumbeira mais próxima e fazer um trabalhinho?

-> Ficar escutando Love Songs 2 e começar a ter os sintomas de desitratação por tanto chorar?

-> Fingir que nada aconteceu?

-> Nenhuma das alternativas anteriores.

Acabou? Não tem mais volta? A fila realmente anda?

Pois é, todos vivemos isso. E sabe o que é pior? Não existe uma resposta universal pra essas questões. Cada um vê o problema de uma forma, por isso chame os amigos pra um papo, eles vão ajudar ou pelo menos te fazer rir. Fato! :D


NB. 8D

Procura-se um amor!


Procura-se um sentimento que predispõe as pessoas a desejarem o bem de outrem; a inclinação de uma pessoa por outra; afeição e ternura; relação.
Procura-se um amor para vida inteira, que tenha início, meio e talvez um fim; um amor de cinema, onde nas suas imperfeições completam-se.
Procura-se um amor para compartilhar alegrias e tristezas; que abrace apertado; que tenha liberdade; para servir de refúgio; para dizer, com palavras ou não: "te amo...".
Procura-se um AMOR!
Caso você, leitor deste anúncio de procurados, tenha encontrado-o entre em contato com o mundo e divulgue-o. Não o guarde a sete chaves, mostre a todos que não é uma busca impossível, dê esperanças aqueles que estão quase desistindo de procurá-lo. Sorria, você é uma pessoa mais feliz do mundo.
Caso você, leitor deste anúncio de procurados, não tenha encontrado o amor, não desista e continue procurando, isso é uma ordem! Não discuta, obedeça apenas.

NB. 8D

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Falando Mentiras



Uma conversa...

X diz:
vc ja teve que mentir pra pessoa q mais ama, dizendo que está bem, ou que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que nunca vai ficar??

Y diz:
já, mts vezes
X diz:
e que nunca vai estar...
X diz:
isso é um tanto horrível
Y diz:
bastante
X diz:
pois é....
X diz:
o pior é quando isso remóe a gente por dentro!

O que é a mentira?

Por wikipédia: Mentira é uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela. Portanto uma declaração verdadeira pode ser uma mentira se o falante acredita que ela seja falsa; e histórias de ficção, embora falsas, não são mentiras. Dependendo das definições, uma mentira pode ser uma declaração falsa genuína ou uma verdade seletiva, uma mentira por omissão, ou mesmo a verdade se a intenção é enganar ou causar uma ação que não é do interesse do ouvinte. “Mentir” é contar uma mentira. Uma pessoa que conta uma mentira, em especial uma pessoa que conta mentiras com freqüência, é um “mentiroso”.

Teoricamente bem dificil não? Mas o que quero discutir aqui é o porque de nós contarmos mentira. Porque eu conto mentira... Eu conto pra esconder algum fato veridico que eu não quero que as pessoas saibam ou que alguma pessoa em especial saiba. Minto para proteger pessoas que eu gosto de meus problemas pessoais que muitas eu não quero falar, apenas guardar, mesmo que isso não me faça bem. Minto sem perceber apenas por mentir, ou minto aumentando um fato simples e pequeno. Talvez seja apenas uma mentirosa.
Não minto em coisas sérias... Não minto prejudicando outros, muito menos semeando discordia... Tento ser o mais o honesta e sincera possível. É isso que esperamos das pessoas, é isso que eu espero das pessoas.

E daí que as pessoas mentem? Cada um tem seu motivo, não? E quando a mentira magoa alguém? O que devemos fazer? Devemos fazer algo que é muito difícil, não deveria ser mas é. Devemos reconhecer nosso erro e pedir desculpas. Desculpas nem sempre adiantam, mas é o primeiro passo para a reestruturação de um relacionamento. Fora o fato de nos deixar muito mais leve.
O termo mentira e verdade é assunto pra inumeras discussões visando propriedades diferentes. E eu não quero ficar me estendendo. Quero que apenas pense... qual é a sua mentira?

"Nada ficou no lugar. Eu quero entregar suas mentiras..."





quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Leve Desespero



Acordei sem sentir o beijo de bom dia
O mesmo beijo que davas dia pós dia
No armário não há mais roupas
Aquelas que eram sua
Nem sua escova estava em cima da pia
Sonhei? Eu pensei
Mas como? Perguntei
Sento na cama sem acreditar
Enlouqueci
Momentos eu reavivo em minha mente
E de repente lagrimas caem
Como chuva de verão
Que realidade é essa diante de meus olhos?
Ando pela casa
Não há vida além da minha
Não há nossas fotos sobre a mesa
Nada além de uma vida vazia
Caio assustada no chão
Abro os olhos e novamente estava em minha cama
Espantada, levanto depressa
Quando vejo ao meu lado, estavas dormindo
Calmo como sempre
No silêncio apenas sua respiração eu ouvia
Suspirei aliviada
Porque nesses momentos de desespero
Eu apenas dormia.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Desabafo


Lembra de todas a palavras que eu te disse? Lembra daquele abraço e daquela mordida?

Horas, apenas horas. Horas que parecem vidas inteiras. Lembro do sorriso e do tom da tua voz.

Porque é tão difícil ficar longe de ti, mesmo sabendo que nunca estivemos juntos realmente. Não sei explicar o que sinto, acho que é o que chamam de saudade. Eu sei que dói, sei que me faz chorar dias e mais dias. Muitas vezes pego o telefone, mas logo desisto.

Nunca pensei que pudesse te sentir tanto tua falta. Agora quem irá juntar meus pedaços?

Porque só você sabe como cada pedaço em seu lugar. Só você sabe me fazer sorrir de felicidade quando lágrimas caem do meu rosto. É tão injusto ter você longe de mim.

Só você sabe o que sinto com apenas um olhar. Me diz, quem mais ver tantas palavras em um olhar de 3 segundos?

Ah, você é único e insubstituível. Sabes disso, sei que sabes!

E eu sei que não importa o quão longe esteja ou que enormes saudades eu sinta. Você sempre estará ao meu lado. Mesmo que apenas em breves lembranças.



"E eu sei que você sabe Quase sem querer Que eu vejo o mesmo que você."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O início.


Mais um ano começa e novos planos e esperanças junto com ele. Muitas perguntas surgem ao seu redor, para algumas a resposta está logo ao lado, mas para outras não acha resposta alguma.

Um começo de ano pode ser na maioria das vezes um nada... Afinal para muita gente o ano passa e recomeça outro e nada muda, talvez por ela mesma não queira mudar.

Eu acredito que Deus (sim, eu acredito em Deus) me deu um presente, pela terceira vez tenho a oportunidade de começar o ano estando na estaca zero. Um lugar novo, bem longe do outro onde estára antes, pessoas novas quem não sabem nada de você, nada além do que você mostra ou quer mostrar, podendo deixar todos os erros pra trás e seguir com tudo aquilo que aprendeu com eles, um chance de mudar tudo em sua vida, tudo que antes era complicado mudar. Uma nova vida. Se isso não um presente, então não sei o que mais pode ser.

Quando entrei no carro, hora onde começou toda essa nova aventura, eu tinha N planos, que em menos de 3 semana já mudaram totalmente para X. E pensando bem, muita coisa, muita mesmo ainda vai mudar. E é bom mesmo que mude... mesmice é a pior coisa do mundo.

Nessa nova vida, posso dizer que ganhei pessoas que já são irmãs... já tive problemas e já os resolvi na melhor maneira possível. Isso é vida... Isso é o poder que o ser humano tem todos os dias nas mãos e não sabe usar.

Início: Do latim initiu - 1 Princípio, começo. 2 Estréia, inauguração. 3 Exórdio. Pode até ser que seja mesmo isso literalmente falando, mas pra mim é muito mais que isso, é uma oportunidade sem igual. Assim, deixo duas reflexões para o fim:

"A jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo e para conseguir o que quer, você deve olhar além do que você vê." ( Palavras do Rafiki, O sábio Babuíno do Rei Leão)

"E depois do começo... O que vier vai começar a ser o fim" (Legião Urbana - Depois do começo), para ser novamente um começo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Despedidas.

(cena do filme Adeus Lênin)
Quem nunca se despediu de outro alguém ou de alguma coisa? Despedir-se é um habito que temos e que muitas vezes nem nos demos conta de que o fazemos. Mas, nas vezes que nos damos conta, como dói. Não é fácil ter que deixar as pessoas e/ou coisas irem embora de nossas mãos, por mais se quisermos tal situação, na hora 'h' sempre bate um peso na consciência. Sim, isso é o egoísmo batendo em nossa porta!
Não é fácil apegar-se a alguém e depois ter que dizer adeus, pelo menos eu não acho fácil o momento. Admito que é quase não é sentindo depois, mas no momento, parece que toda aquela dor e angustia nunca acabaram. Gostar de alguém e ter que ir para longe. Viver bem onde está e ter que sair. Ter que dar tchau a velhos costumes. Ter que ser forte e aguentar.
Despedidas dramáticas, aquelas com muito choro e gritos e silêncio constrangedor, eu acho mais coisa de novela mexicana. Acho que as pessoas, como eu, preferem a segurança de um bom banho, a ter que em local público derramar rios de lágrimas. Não que eu não me sentiria toda pimposa se alguém ficasse assim por mim, mas é que esse sentimento tão exagerado as vezes, na maioria das vezes, chega ao ponto do ridículo, coisa que evito ao máximo.
Despedidas simples, uma piadinha pra descontrair, um abraço apertado e depois um beijo no rosto com palavras legais, são muito melhores. Ninguém além de você, quer saber o que está acontecendo em sua vida. Então pra que escandalizar um momento tão íntimo?
Acho que estou parecendo ser fria, mas não sou. Só acho que existem limites para todo o sentimentalismo que causa uma despedida. Limites esses que devem ser respeitados! Gente, cuidado ao se expôr, cuidado no exagero. Despedidas já são dificeis por envolver a separação de coisas e se tem um peso emocional muito grande, só piora.
Pra todos aqueles, bons meninos e meninas, que ficam em Brasília - DF, fica aqui o meu adeus!
Até 2010, espero.
NB. 8D

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cenas de um filme.

Vivemos situações que as vezes nos fazem pensar: "Isso aqui dava uma boa cena de um filme". Algumas vezes porque as situações são muito além do nosso costume tornando-se fantásticas ou de tão normal e monótono parece que já foi escrito por outra pessoa e você está ali representando um personagem secundário de um filme B.
Em meios aos desvaneios que me atacam diariamente, imagino uma vida diferente, com pessoas, jeitos e situações novas, baseando-me em cenas de filmes. Invento falas, imagino as locações da gravação e a trilha sonora. E diga-se, a cena do filme é que se adapta a trilha sonora quando eu faço isso, vou explicar como: estou eu escutando música, imaginando uma cena, troca a música e eu já busco outra cena que sirva melhor para'quela música, deu pra entender? Pois é, parece coisa de doido, mas acredito que todo mundo faça isso de diferentes formas. Então não sou tão doida assim. (y)
Mas tem vezes, que penso em fazer um pequeno curta metragem, e esse post (mais íntimista que o normal), foi para explicar uma situação criada por mim, que me deu a idéia de criar um pequeno roteiro de um curta metragem que agora, quero compartilhar com vocês.
[Duas mulheres, uma mais velha e a outra mais nova, detitadas em uma cama de casal.]
[Close nas duas]
[Quarto iluminado somente pela luz que entra pela janela - meio de uma tarde chuvosa]
- Mãe, como a senhora me vê?
[Mulher mais velha olha para as mais nova e demora a responder]
[A menina sente o braço começar a tremer - tem medo da resposta que pode ouvir]
- ... Uma moleca... Uma irresponsável... Uma menina que pensa que sabe das coisas, mas não sabe... Burra!...
[A menina continua tremendo e interrompe a mãe, olhando-a nos olhos]
- A senhora ainda me vê como A sua filha?
[A mulher que tinha virado o rosto para cima, olha nos olhos da filha e responde enquanto começa a lagrimar]
- Você é a minha filha, a única filha que eu tenho...
[A menina interrompe de novo a mãe]
- Não assim. Quero saber como A SUA filha. A senhora ainda me vê como A sua filha?
[A mãe continua num choro contido]
- Você continua sendo A minha filha. Por isso estou aqui, por isso que estou tentando te ajudar. Não sei como tu conseguiste tornar-se nesse monstrinho, mas eu sei que no fundo ainda és a minha filhinha, uma boa menina, por mais que ninguém mais acredite nisso...
- Eu também acredito. Porque não sou esse monstrinho...
[A câmera vai se distanciando das duas pela porta a fora]
[A porta está se fecha]
Não sei se deu pra perceber, mas a trilha sonora que eu tanto aprecio, não está nesse roteiro, porque o silencio externo e o som apenas das vozes e da respiração das duas mulheres, mãe e filha, tornaria a cena mais tensa do que é.
Espero que vocês tenham realmente gostado. Qualquer coisa, dá um toque.

NB. 8D

domingo, 14 de dezembro de 2008

Ausência!

Bom esse post é só aviso.

Irei sumir por 1 mês.
se der pra postar eu posto, caso contrario... vocês já sabem, nao morri... apenas to sem net, sem casa, sem pc... resumindo: apenas uma mala de roupas.
entao é isso!
Bjos a tds!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Saber a amar...


Sabe aquela história de ciclano ama fulano, mas fulano amo deutrano, porém deutrano ama ... e assim vai. Impressionante como isso sempre acontece com minha pessoa.

Aí estava eu ouvindo aquela musica dos Paralamas que deu nome ao titulo desse post e fiquei pensando. Eu não sei amar. Você sabe amar? Existe um segredo pra saber amar? O que é o amor então? Indagações típicas do ser humano. Ser ou não ser? Eis a questão.

Acho que o amor é um sentimento meio louco, meio cego, meio torto, meio estranho. Pode ser grande em 3 dias e pequeno em 3 anos. Talvez seja só aquele momento, do tipo eterno enquanto dure. E se durar 3 segundos ainda sim ele foi eterno.

Talvez ele seja exatamente aquele momento que você pensa: Sim! Mas diz: Não! Não quero-te!

A verdade é que o amor é o mistério. Ele é diferente para todas as pessoas e todo mundo ama diferente.

No final nas contas se magoar é normal, é mais normal do que deveria ser. E pensando bem, quantas pessoas não magoei?

E repetindo o que Shakespeare genialmente um dia falou: Há pessoas que entram por acaso em nossas vidas...mas não é por acaso que elas têm o privilégio de permanecer.

E se você não permacer em minha vida é por que realmente não tinha que permanecer e então irei sofrer só um pouquinho, mas depois sararei. Afinal, é o AMOR, e não o TEMPO, que cura todas as feridas.



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Natal...



Natal. O que falar sobre o natal? Pensei, pensei e cheguei a algumas conclusões. Mas aqui eu vou falar sobre o que é o natal pra mim, CaHzita (by Alta).

Por ser protestante o natal não é só presente. É a celebração de alguém que nasceu no dia 25 e morreu mais tarde para nos salvar e reestabelecer nosso contato direto com Deus. Mas como eu sempre digo, não curto discutir religião então paro por aqui.


O que nos leva à outro lado do natal pra mim. Apesar de acreditar nesse fato que eu falei, eu, CaHzita, NÃO GOSTO DO NATAL. Comemoro, mas não gosto. Um dia eu gostei. O natal sempre fez sentido quando uma pessoa muito especial era ainda viva: Meu avô (de parte de mãe).


Todo ano ele vibrava com o natal, comprava aquele monte de comida, ficava dias preparando as coisas, fazia questão de todo mundo junto (apesar de sempre rolar as briguinhas de familia, sabe como é né? Juntou, dá curto), comprava presente pra todo mundo e só entregava depois da meia-noite. Sim, ele realmente achava essa data especial, era como o dia de ação de graças nos EUA. E por causa disso tudo hoje o natal é só mais uma data, por ele não está mais aqui pra fazer tudo que fazia, cada detalhe, comemorar o natal sem ele não faz sentido algum.


Hoje o natal é uma data triste, é o dia em que mais sinto falta dessa pessoa que me ensinou a ser o que sou, me mostrou o que é dignidade, hosnestidade, ética e muitas outras coisas que são necessarias para uma pessoa ter bom carater. É claro que eu só percebi isso depois que ele morreu e daí já nao tinha mais como agradecer por tudo.


Enfim, esse é o sentido do natal: Saudades.


P.S.: Tá! Eu confesso, gosto de presente. ;X E gosto de gatos.




domingo, 7 de dezembro de 2008

Mudanças.

Na foto está uma afirmação. Mas eu faço dessa afirmação uma pergunta: Existe vida após a mudança?
Mudar: ir viver para outro lugar; transformar-se; tornar-se diferente do que era fisicamente ou moralmente; tomar outro aspecto. Se pensarmos bem, todas essas ações são muito complicadas de serem realizadas, exigindo um nível de determinação e responsabilidade enorme de cada um ou de alguém por nós. Mas para responder a pergunta que eu fiz, cada um tem a noção do próprio limite e até quando uma mudança pode ser uma boa opção.
Existem pessoas que tem medo de mudar. Existem pessoas que necessitam dessa mudança periodicamente. Existem pessoas que como eu, vão se deixando levar pelas circunstâncias. Vale mais a pena jogar algumas coisas pro alto ou continuar da mesma forma? Quem nunca passou por uma ou mais situações que exigiam um pensamento assim?
Mudar a posição dos móveis da sala, mudar a cor do quarto, mudar de escola, mudar de parceiro, mudar de apartamento, mudar a aparência, mudar de cidade/estado/país. Mudar, mudar, mudar... Tudo passa, tudo muda e como é dificil aguentar as vezes. Há pessoas de mudanças materiais ou de personalidade todos os dias. Há pessoas que aproveitam que estão mudando de uma cidade/estado/país para o outro e mudam toda uma personalidade construída a tempos. O cotidiano é cansativo, confuso e tem muitas surpresas (agradáveis ou não), e é apartir do nosso cotidiano que mudamos as coisas.
Mudanças pequenas, mudanças drásticas. Um dia resolvo que não vou de tênis pra escola, vou de sandália de dedo, uma mudança. Um dia resolvo cortar o longo cabelo para um cabelo curtinho mudando totalmente o aspecto do meu rosto, uma mudança. Deu para entender que não é o o quanto vai mudar e sim que vai mudar que é importante?
Como uma quase nômade, desde o final dos 14 anos, afirmo categoricamente, que há vida após uma ou mais mudanças. Aprendi que ainda tenho amigos, mesmo não mantendo contato, ainda tenho amigos em todos os lugares que morei e que pra mim isso é o mais importante.
2009 tá chegando e as promessas de mudança de fim de ano aumentando. Mas será que mudamos mesmo? Afirmei no começo que as pessoas mudam todos os dias, mas será mesmo que mudam? É dificil responder, porque as vezes acho que sim, as vezes acho que não e as vezes não acho nada.
Agora que ano que vem, prometo que vou mudar e ser uma filha mais responsável, estudiosa, carinhosa, uma namorada exemplar, uma amiga perfeita, perder uns 10kg, fazer um moicano, pular de para-quédas, fazer boas ações, ect. XD Vai dizer que você, nunca fez nenhuma dessas promessas? ;)
Mudar, depende de nós, depende dos outros, depende de muita coisa, por isso é tão dificil, mas não é mortal!
Dica de hoje: Mande cartas!!!!!!!!!! Sei que não tem porra nenhuma com o meu texto essa dica, mas é que estou fazendo uma campanha a favor das cartas, então mande cartas!

NB. 8D

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Porque o fácil é difícil?



Porque o fácil é tão difícil? É, eu sei. Foi como perguntar “quem vem primeiro, o ovo ou a galinha?”. Ok, tem coisa que é fácil e ponto. Como tem coisa que é difícil e ponto. Estou me referindo a coisas simples que se transformam ou são ao mesmo tempo algo ultra-mega-blaster difícil.

Talvez eu não esteja sendo tão clara então vamos aos exemplos (muitas vezes os exemplos podem ser bem mais confusos). Você vai numa festa com sua/seu amiga (o), ela/ele quer ficar com aquela (e) que é o/a mais gata (o) da festa. O problema que é para tal satisfação ela/ele te pede um favorzinho básico. Exato, pra você ficar com a/o amiga (o) esquisita (o), chata (o), “verde” da/do gata(o). E aí o que você faz? Fácil, você diz não, porque você realmente não está afim, você quer o(a) outro/outra. O difícil é dizer o não. Fala sério! Seu amigo (a) vai ficar cheio de chantagem emocional pro seu lado né mesmo? E aí você pensa “pow! Se fosse meu amigo (a) mesmo ia entender.” (olha gente parei com essa coisa de o/a é horrível escrever assim, vai ser tudo no masculino)

Outro exemplo, dizer “eu te amo”. Mel dels! Ô palavrinha. Quer dizer às vezes é fácil dizer, você vira e diz eu te amo. Vou confessar algo: tenho uma dificuldade imensa de dizer eu te amo pra minha família, qualquer pessoa da família. O máximo que eu solto é um “eu também te amo” e daqueles bem secos. Não, eu os amo e muito, mas não sei por quê, as palavras não saem.

Outro... porque é tão fácil tratar o seu melhor amigo com jeito de que é seu namorado, chamar ele de gostoso, dizer o quanto você gosta dele e falar todas aquelas besteiras que você pensa. Chegar nele e dar aquelas cantadas certeiras, mas que ele assim como você vai levar na zuera. No fundo você está só sendo você, se mostra pra ele do jeito que é defeitos e qualidades. Mas quando você quer fazer isso com o cara que você gosta não consegue, fica igual uma pata choca. Nunca se mostra como realmente é e o cara nunca dá bola pra você porque te acha esquisita e idiota. Não é tão fácil! Pensa, é só ser você. Mas na frente dele você é outra. Acho que esse exemplo ficou ruim, mas tudo bem. Deu pra entender?

Enfim, existem muitas coisas fáceis que são muito difíceis e você não sabe o porquê. O fácil ser difícil cai naquela teoria da relatividade. Assim como a verdade lembra? Resumindo: Não sei a resposta. Se você souber, por favor, me diga.



P.S.: Genteeee! Da quase pra fazer um livro só com textos sobre assuntos que são parte da teoria da relatividade. ;X Tá, parei.

domingo, 23 de novembro de 2008

Cinema


Nesse amplo assunto, cinema, irei ater-me apenas em um assunto, o curta metragem especificamente sobre os 16mm. O filme de 16mm foi intorduzido pela Kodak em 1923 para o mercado amador. Mas acabou ganhando muito adeptos para os cineastas que faziam documentários, filmes experimentais, de treinamento e independentes, por ser mais barata, ágil e também de boa qualidade como um 35mm. Na década de 80 esse tipo de filme, foi perdendo força com a popularização do vídeo, mas até hoje é usado e bem usado. :3

Estou escrevendo sobre o 16mm por um simples motivo. Amor a primeira vista. Tenho ido ao festival de cinema que está rolando aqui em Brasília, 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, e lá eu estou assistindo aos curtas de 16mm e é incrível o que um grupo pode fazer com pouco dinheiro. Houveram filmes que realmente fizeram a minha cabeça, como: A menina espantalho, de Cássio Pereira dos Santos; Landau 66, de Fernando Sanches; Medo do escuro, de Cauê Brandão, Memórias finais da república de fardas, de Gabriel Marinho; Minha tia, meu primo, de Douglas Soares; O velho guerreiro não morrerá - O cangaceiro de Lima Barreto, 50 anos depois, de Paulo Duarte; Ouroboro, de Maurício Antonângelo e V.I.D.A, de Vinicíus Zinn. Esses não foram todos os filmes que eu assisti, foram os filmes que eu mais gostei até agora.

Entre os filmes que eu citei, dois marcaram-me mais profundamente: "Memórias finais da república de fardas", que conta da história das Diretas Já, de uma nova forma, de um novo ângulo, conta apartir das pessoas que estavam ali participando ativamente e não como os cabeças de toda história e uma entrevista com o General Newton Cruzes (eu simplesmente queria matar esse homem quando vi o documentário). E o "O velho guerreiro não morrerá - O cangaceiro de Lima Barreto, 50 anos depois", que conta a não só a história de como foi produzido o grande sucesso mundial - O cangaceiro - mas um pouco de como era Lima Barreto, esse filme foi muito emocionante.

Então para as pessoas que estão lendo esse post, meio sem eira nem beira, como diria a minha avó. Vai uma dica: Não deixem de ir ao cinema, de prestigiar o cinema nacional, de procurar esse estilo de filme, que não é tão divulgado, porque é muito bacana, é uma experiência que nos faz aprender, que nos faz abrir a mente para muitas outras coisas. Eu me surpreendi muito e aposto que quem seguir essa pequena dica, vai se surpreender também.

É isso, vou terminando por aqui, porque agora é almoçar e ir ao Festival. :D
Alguns links se vocês quiserem ver mais algumas coisas:



NB. 8D


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Procura-se a verdade

Verdade, porque a queremos tanto? Li no dicionário que verdade é: 1 - Conhecimento, idéia ou proposição que está de acordo com o real. 2 - Algo factível, correspondente à realidade dos fatos. Incontroverso.
Olhei, li ... li novamente. Que coisa tão relativa! Porque o que é fato pra mim pode não ser pra você, o que é incontroverso pra você pode não ser pra mim, enfim. Como é dificil entender essa tal verdade. Li na último texto da Liliane Prata (escritora, blogueira e jornalista, trabalha na capricho) sobre verdade, sobre o fato de tanta gente (ok, todo mundo) querer tanto ser o dono dela e no fim das contas ele chegou, e eu concordo plenamente, que a verdade não tem dono.
Assim, passariamos anos e anos discutindo sobre o que é verdade e não chegariamos a lugar algum. Pensando por outro lado é tão fácil dizer o que é mentira... destinguir a mentira é muito mais fácil que destinguir a verdade. Mesmo a mentira também sendo relativa.
E novamente estamos perdidos nesse mundo da relatividade, que nunca, mas nunca mesmo, conseguiremos entender. E isso é uma verdade.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Beijo.


Vamos ali, foi a primeira coisa que ela disse ao encontrá-lo na festa. Ele a seguiu cegamente por causa do maldito drink que bebera um pouco antes dela chegar. Não adiantava negar, o jeito dele jogado tinha de alguma forma estranha a cativado. Ela era apenas uma menininha ruiva, cheia de sardinhas que adorava encher a paciência dele com conversas dificeis. A festa estava lotada, tinha dado muito mais gente do que o previsto, muito mais gente do que aquela sala pra 20 pessoas, o cheiro de cigarro era quase insuportável, só não era pior do que a cena da menina no banheiro, melhor nem comentar.
Depois de desviar de bêbados, conhecidos, desconhecidos, de mãos indecentes, de ataques furtivos de gente desconhecida chegaram ao jardim da casa. Ela estranhou ao vê-lo a noite, cheio de casais no chão, estava acostumada com a imagem bucólica que havia construido daquele local. Ele animou-se ao ver uma colega da universidade que tentava fazer uma aproximação mais íntima desde o semestre passado, ela não o poderia ver do lado da ruivinha, estragaria sua imagem impecável de amante das mais belas, já que a ruivinha era sardenta e não chegava nem perto das mulheres que estava acostumado a sair. Ela percebeu um certo incomodo vindo dele, mas não soube dizer sobre o que era, não tinha notado a presença da bela universitária conhecida dele. Ela continuava o puxando para mais longe, queria que ele visse a cidade da parte de cima do terreno daquela casa, de lá dava pra ver a pequena Lima quase toda era uma visão muito bonita a noite. Alcoolizado ele foi, mas não queria ir, queria tentar a aproximação com a loira da universidade. Chegaram ao ponto mais alto.
Ele percebeu que o lugar já estava preparado para chegada de duas pessoas, havia uma toalha quadriculada no chão (parecida com a do filme francês que assistira uma semana antes) e sobre ela uma cesta com uma garrafa de vinho e uns petiscos. Ela puxava-o com mais força para que chegasse logo a toalha, queria abrir o vinho antes que esquentasse. Ele viu-se sentado ao lado da ruiva, por um momento, talvez seja culpa da lua minguante ela pareceu-lhe bonita, mas logo voltou ao normal e fingiu esquecer o que tinha visto.
Ela estava apanhando pra conseguir abrir o vinho, até o momento que ele tomou a garrafa de suas mãos e abriu de qualquer forma jogando a rolha para longe. Cena tão máscula, a cada momento a menina encantava-se mais com ele. Ela esperava o momento certo para tentar beijá-lo, não queria que o primeiro beijo saísse de forma errada, queria passar uma impressão boa, de que era experiente mas não o suficiente e que precisava ser ensinada. Ele não parava de pensar na oportunidade que estava perdendo, só por estar do lado dessa menina. Por que tinha aceitado esse convite estúpido? Essa pergunta não saía de sua cabeça.
Depois de um longo e insistente silêncio ela puxa o assunto sobre futebol. Ele empolga. Os dois começam a quase gritar de tanta euforia. Ele não sabia que meninas gostavam de futebol, ele não sabia que meninas entendiam futebol. O assunto acabou mas a conversa não. Ele nem percebeu mas já tinham mudado de assunto umas cinco vezes, ela havia percebido e comemorava mentalmente a vitória.
A garrafa já estava vazia, não havia mas petiscos e a conversa já estava calma mas ainda interessante. Ela já estava tonta, não aguentava beber mais que uma taça de vinho e tinha tomado mais da metade daquele Merlot 2006. Ele já estava bem mais sóbrio e ficava rindo por ela ficar vermelha quando bebe.
Ela acabou adormecendo enquanto ele falava sobre como é difícil o curso de medicina. Não que ela achasse aquela conversa chata, mas o efeito da bebida foi mais forte. Mais uma vez ele viu rapidamente que ela era uma garota bonita e que as sardas já não eram tão repulsivas assim. Ele foi aproximando-se aos poucos para beijá-la quando de repente a loira aparece com um guarda-roupas do lado, rindo muito e visivelmente alterada. Ele se afasta rapidamente da ruivinha, não poderiam vê-lo em momento íntimo assim com ela. Não viram, estavam ocupados demais com outras coisas naquele momento, tão ocupados que sua presença não havia nem sido notada, tamanha era a sua insignificancia naquele momento.
Ele deitou do lado dela, não queria acordá-la então evitou fazer o máximo possível de movimentos. Por que tinha parado? Ela não era tão feia assim. Na verdade era bem bonita. Sua pele branca e lisa como seda, seus cabelos ruivos enrolados e as pequenas sardas em sua bochecha. Era magra e mesmo assim conseguia ter um belo par de coxas bem torneadas. Sua beleza parecia sublime a luz da lua. Não demorou muito o sol nasceu. O medo daquele momento era visível no rosto dele. Talvez como um conto de fadas ela voltasse a ficar normal, pra não dizer sem graça novamente a luz do sol. Mas não, ela continuava linda.
Ele tentou acordá-la, mas não havia conseguido de forma alguma. De repente ele sentiu a pele muito gélida daquela menina. Não poderia ser. Ele buscou pelo corpo dela algum sinal vital. Não poderia ser. O desespero, o pânico. Não poderia ser.
Natasha Neimbergue acorda. A ruivinha estava bem. Felipe Stolker só havia ficado muito nervoso e entrado em pânico. Ele finge que nada aconteceu. Ela tenta lembrar de alguma coisa. Os dois vão para casa. Não sei se voltaram a se encontrar depois daquele dia.
8D